Espondiloartrose: Causa e tratamento

A espondiloartrose é uma doença do grupo das artroses, doença crônico-degenerativa, que envolve as articulações interapofisárias e intervertebrais. A espondiloartrose lombar abrange duas patologias distintas, porém inter-relacionadas: a espondilose ou doença degenerativa discal e a osteoartrite das articulações interapofisárias posteriores.

Uma dúvida muito frequente aos pacientes portadores de espondiloartrose lombar, diz respeito ao direito de obter a aposentadoria por invalidez ou o auxílio-doença.

Algumas doenças específicas dão aos trabalhadores o direito de requerer a aposentadoria por invalidez. Entretanto, a falta de informação sobre quais os casos em que é possível requerer o benefício é um dos maiores problemas enfrentados pelos segurados.

Sempre que o estágio da doença for considerado avançado e irreversível, com reflexos graves sobre a vida quotidiana do paciente, este pode requerer administrativamente junto ao INSS, a concessão do benefício de aposentadoria por invalidez.

Exatamente, esses pacientes podem requisitar a concessão de auxílio-doença e aposentadoria por invalidez, desde que sejam filiados ao Regime Geral de Previdência Social, ou seja, contribuam ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Entenda um por mais sobre as causas, sintomas, tratamentos, relação da doença com o trabalho e alguns exercícios básicos para prevenção da espondiloartrose.

dor espondiloartrose

CAUSAS DA ESPONDILOARTROSE

Não há uma causa exclusiva para a doença. A principal causa desse tipo de artrose é a idade. Quanto mais velho, mais fácil para a doença se desenvolver, devido a fragilidade que é adquirida com o passar do tempo. As mulheres acima de 45 anos são as maiores atingidas.

Um dos principais fatores de risco para a doença é a obesidade, já que a movimentação do corpo se torna mais difícil e as chances de desenvolver a doença é maior. Outro fator de risco está relacionado às pessoas que possuem trabalhos repetitivos e que forçam constantemente as articulações.

Elementos do processo de trabalho como, cargas de trabalho, podem interagir com o corpo do trabalhador gerando adaptações que se traduzem em desgastes e perda da capacidade corporal e psíquica.

Outra característica que pode facilitar o aparecimento da doença são os genes. Alterações genéricas podem tornar uma pessoa mais propensa para o desenvolvimento da Espondiloartrose, uma alteração que seria válida para a doença é de um defeito na produção de colágeno, uma proteína que compõe a cartilagem. Pessoas com essa alteração podem adquirir a doença com menos de 20 anos de idade.

Confira em seguida uma lista completa das causas que podem levar ao surgimento da espondiloartrose:

• Deformação do disco intervertebral;
• Desgaste ósseo;
• Esforços e movimentos repetitivos;
• Genética;
• Idade;
Lesões desportivas;
• Posições posturais erradas;
• Traumatismos.

espondiloartrose

SINTOMAS

A espondiloartrose apresenta um quadro clinico de sinais e sintomas variáveis de acordo com cada articulação afetada, ou seja, podem haver alguns sinais distintos consoante seja uma espondiloartrose na lombar, dorsal ou cervical.

Esta doença tornar-se visível especialmente por meio da dor, mas também, a redução da capacidade motora, força e flexibilidade muscular. Alguns sintomas, porém, são comuns em todos os tipos, tais como:

• Rigidez;
• Inchaço nas articulações afetadas;
• Dor no pescoço ou nas costas que se agrava com o movimento e que alivia com o repouso;
• Fraqueza;
• Dormência nas pernas ou braços;
• Espasmo da musculatura paravertebral;
• Dor nas costas;
• Zumbido nos ouvidos;
• Dificuldade em movimentar o pescoço;
• Limitação da amplitude de movimento e deformidade;
• Tontura ao virar a cabeça rapidamente;
• Progressiva perda da função.

Outro sintoma está ligado à saúde mental do diagnosticado, já que ele se sente impotente e, muitas vezes, deprimido, por não conseguir realizar atividades cotidianas.

ESPONDILOARTROSE LOMBAR E TRABALHO

Em estudo sobre a organização e o processo de trabalho, comprovam que fatores ergonômicos como força, postura e vibração podem determinar lombalgia, osteoartrite e espondiloartrose lombar.

Há evidências clínicas de que solicitações de sobrecarga e repetitividade atuando na região lombar determinam, inicialmente, alterações musculares, ligamentares, capsulares e, finalmente, alterações degenerativas da coluna vertebral, como espondiloartrose.

A exposição ocupacional cumulativa em atividades como levantamento, carregamento, puxar e empurrar de peso aumentam o risco de desenvolvimento de espondiloartrose lombar.

Desse modo a prevalência de patologia de disco intervertebral é maior em trabalhadores com manuseio habitual de cargas em relação aos trabalhadores com manuseio ocasional de cargas determinando risco relativo elevado para espondiloartrose em ambos os gêneros.

Algumas categorias profissionais que desempenham trabalho pesado é de grande importância para o campo da saúde do trabalhador, principalmente em seus aspectos legais e previdenciários, sobretudo quando considera- se que, em sua grande maioria, os trabalhadores que exercem trabalho pesado não possuem outra opção ocupacional, tornando-se incapacitados precocemente para suas atividades laborais, acarretando altos custos sociais e previdenciários.

espondiloartrose lombar

TRATAMENTO

A chave para a diminuição dos sintomas é ter um estilo de vida saudável. No início, o melhor para o paciente é perder peso e em seguida manter-se saudável. Para isso é imprescindível à prática do exercício físico, já que ele além do auxílio na perda de peso, aumenta a flexibilidade e melhora no fortalecimento dos movimentos.

O tratamento fisioterapêutico para a espondiloartrose tem como função ajudar a aliviar sintomas e a retardar a degeneração da capacidade motora. Esta doença é progressiva por isso, a fisioterapia é a componente mais importante do tratamento para a espondiloartrose.

A fisioterapia para a espondiloartrose consiste na utilização de aparelhos específicos para o alívio da dor, na realização de alongamentos para melhorar o fluxo sanguíneo na zona afetada e melhorar a flexibilidade dessa região, e ainda, na realização de exercícios para corrigir posturas erradas.

Confira de seguida em que consiste o tratamento fisioterapêutico:

Dentre as técnicas cinesioterápicas, tem-se o tratamento fisioterapêutico, denominado Estabilização Central que é utilizado para estabilizar o segmento que se encontra instável, móvel, sendo este o fator causador da dor lombar.

O mesmo visa o fortalecimento da musculatura do tronco, estabilizando os segmentos lombares, envolvendo a co-contração de músculos profundos como transverso do abdome, oblíquo interno e multífidus.

O programa de exercícios terapêuticos de estabilização segmentar visa abordar problemas no controle motor e restaurar o funcionamento sinérgico entre a musculatura atuante na estabilização do tronco.

Um programa de exercícios de estabilização central influencia a dor lombar e a estabilidade do complexo lombo-pélvico por meio da ativação de diversos grupos musculares simultaneamente, uma vez que a ação de todos os músculos que cercam a coluna lombar são essenciais à estabilização e ao desempenho de tarefas motoras simples e complexas.

O Pilates tem seu destaque devido ao fortalecimento de uma musculatura que é essencial para a proteção da coluna, composta por músculos estabilizadores, o transverso do abdômen e o Multifídeo lombar.

Um programa de reabilitação da coluna vertebral deve ser iniciado com o protocolo que inclui exercícios de estabilização vertebral, mobilização articular, alongamentos e fortalecimentos específicos para melhorar os sintomas, melhorar a condição articular e evitar a inflamação local.

Alguns outros tratamentos encontrados são: a estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS), que nada mais é do que um pequeno dispositivo que quando colocado junto da área afetada emite pulsos elétricos que estimulam a região, a acupuntura, a osteopatia ,a colocação de compressas frias ou aquecidas na articulação afetada.

A conduta fisioterapêutica adotada obtém respostas benéficas em todas as variáveis analisadas, onde houve diminuição da inflamação e da dor e melhora da força muscular e da qualidade de vida das portadores de espondiloartrose.

5 EXERCÍCIOS PARA FAZER EM CASA PARA PREVENIR OU ALIVIAR A ESPONDILOSE LOMBAR

É importante lembrar que os exercícios seguintes não ultrapassem os limites de dor da pessoa! Os exercícios deverão ser feitos de 3 a 4 vezes por dia, e cada exercício com repetições de 10 vezes. Se você encontrar dificuldade para fazer as 10 repetições, realize o quanto você conseguir e com o passar dos dias e/ou semana você poderá ir aumentando gradualmente.

1. Exercício para a coluna lombar – Rotações

Deite de costas com os joelhos dobrados e os pés apoiados. Mantendo os joelhos juntos vire-os para a esquerda (o quanto você conseguir), e em seguida para a direita. Retorne à posição inicial em um movimento suave.

2. Exercício Coluna Lombar – Flexão (do joelho para Peito)

Deite-se de costas e lentamente, coloque as duas mãos sobre o joelho e puxe-o para mais perto de seu peito, até sentir uma sensação de aperto. Mantenha essa posição por 30 segundos e, em seguida, retorne lentamente à posição inicial. Repita o exercício também com o joelho oposto.

3. Exercício Coluna Lombar – Flexão (do joelho para Peito 2)

Deite de costas e lentamente traga ambos os joelhos para próximo do peito até sentir uma sensação de aperto. Mantenha-os nesta posição por 30 segundos. Em seguida, retorne lentamente à posição inicial.

4. Exercício Elevação pélvica

Deite de costas com os joelhos dobrados e pés apoiados no chão. Lentamente, eleve o quadril. Mantenha por 5 segundos e retorne suavemente a parte inferior das costas para a posição inicial. Certifique-se de que a cabeça e o pescoço são mantidos em linha reta para evitar a pressão sobre as articulações do pescoço.

5. Exercício Coluna Lombar – Extensão

Deite-se de barriga para baixo com as palmas das mãos ao lado de seus ombros. Manter os seus quadris no chão e estique os braços (elevando suas costas). Empurre para trás o máximo que conseguir. Mantenha-se por 5 segundos e volte cuidadosamente à posição inicial.

Lembre-se sempre de que todos estes exercícios deverão ser realizados em um superfície estável, não muito mole.

É importante saber que a artrose na coluna, em maior ou menor grau, ocorre em todos os indivíduos. Para saber mais procure um Fisioterapeuta!

Felipe Ricardo

Felipe Ricardo

Felipe Ricardo – Apaixonado pela fisioterapia. Fisioterapeuta – CREFITO14/235419-F.
Pós-Graduado em nível de Aperfeiçoamento em Perícia Judicial certificado pela ABRAFIT, Especialista em Fisioterapia Intensiva certificado pelo ICF, Instituto Camilo Filho.
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3 comentários Adicione o seu
  1. Gostei muito da clareza como apresentou sobre Espondiloartrose e também, sobre a forma de tratar. Muitos de nossos pacientes ficam desesperançados quanto ao tratamento, por não persistirem. De fato, é necessário os três “Ps”: paciência, persistência e periodicidade.

    1. Prezada Miriam,

      Muito obrigado pelas palavras de elogio sobre a construção do texto!
      Concordo com você no que diz respeito os “Ps”: paciência, persistência e periodicidade, é necessário muito estimulo e apoio ao nosso paciente.

      Abraço do amigo Felipe Ricardo.

  2. Estou sofrendo com espondiloartrose começou a pouco tempo nas partidas de futebol aos poucos foram aumentando fui ao medico e ele me receitou fortalecimento e fisioterapia e perder peso afinal estou 10 quilos acima do meu peso e isso pode estar influenciando nas dores
    Ótimo artigo me ajudou muito
    Obrigado

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